segunda - dia 9 de março

tive uma crise que demorei a entender que era crise

eu estava bem. feliz e grata por douglas ter conseguido mais um dia em casa. decidimos sair pra almoçar no restaurante que a gente gosta pra comemorar o dia da mulher (já que não deu pra fazer isso no domingo)

enquanto estávamos jogados no sofá, nada preocupados com o cronograma do dia. eu decidi subir na laje pra tirar algumas roupas estendidas que ele levaria de volta pra SP. do caminho da sala até subir, senti umas coisas estranhas. primeiro achei que fosse a pressão abaixando, sabe, quando a gente fica muito tempo deitado e levanta rápido? senti aquilo. depois fui sentido uma dor apertando minhas canelas, minha panturrilha dura. não dei bola, subi as escadas, perna tremendo. Meu Deus, o que tá acontecendo? Respirei e fui levantar os braços pra tirar as roupas do varal. Braço duro, mãos tremendo. Dor no pulmão. Respiração ofegante. Ali entendi que era a ansiedade dando alô. Fiquei com medo. Desci rapidamente.

Voltei pro sofá. Fingi que tava tudo bem. Mas douglas já me conhece toda. Percebeu que eu não estava bem. "Amor, vamos então sair" "Vamos". Minha mão tremia absurdamente. Tomei um banho quente pra me acalmar. Tentei distrair a mente me maquiando enquanto ele estava no banheiro. Mas quando me olhei no espelho e me vi tremendo, tremendo de uma maneira que eu nunca tinha visto... Eu me desesperei. Douglas me viu daquele jeito, enfiada com a cara na toalha abafando a crise de choro. Ele me deu um abraço. Me ajudou. Percebeu o que era. Me acalmou. Eu chorei muito. Perdi  meu eixo. Fiquei tonta. Parecia que eu estava sumindo. Foi horrível. Meu corpo tava duro. Estava suada. Sem respirar.

Eu não queria que ele me visse asssim. Principalmente no dia que ele iria retornar pra SP. Ele foi tão bom. Tão compreensivo. Acho que ele anda pesquisando como lidar comigo e minha ansiedade. Eu acho.

As vezes até me pergunto se ele merece uma esposa assim. Se um dia ele vai perder a paciência de me ver assim.

Só sei que me senti tão acolhida. Tão amada.

Depois, bem depois. Passou.

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