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Mostrando postagens de outubro, 2018

Nota 8

VIII Péssima noite! A pior crise de ansiedade que tive. E a prova que o problema é minha mente mesmo. Depois da crise (não dormi nada durante a noite), consegui tirar uma soneca depois das 5h da manhã e acordei às 7h com vontade de ir ao banheiro. Não chegou a dar diarreia, mas fui umas quatro vezes pela manhã. Tô muito pilhada. Acelerada. Chateada comigo mesma por isso estar acontecendo. Como eu deixei as coisas chegarem nesse jeito? Tentei de quase tudo, eu acho, pra conseguir dormir. Orei. Acompanhei as discussões do facebook. Olhei o twitter. Fiquei vendo os looks da premiação do Latin American Music Awards (que por sinal, ANITTA CANCELA SEU STYLIST!). Orei de novo. Li uma devocional. Nada me acalmou. Uma pressão na cabeça, uma aceleração bizarra no coração, inquietação. Sabe, eu não mereço isso. Ou mereço? Eu fico pensando no ano passado, em como eu era. Eu era tão eu. Tão feliz. Essa época, eu estava toda atarefada vivendo e respirando meu TCC. Reclamava...

Nota 7

VII Ontem estava visivelmente diferente dos outros dias que consegui ficar tranquila. Hoje também estou diferente. Estressada, peito acelerado, fingindo que estou bem. Até minhas fezes veio diferente. Estou com medo de ter recaída. Eu tô tentando não pensar nisso, mas quanto mais evito pensar mais eu penso. Até relutei para escrever hoje, pra não ter que ficar mexendo na minha mente. Mas estava agoniada, procurando o que fazer e não teve jeito. Cá estou eu aqui… Por outro lado, escrever me alivia. Porque aí eu choro de vez. Motivo? Eu não sei. Não sei se é porque meu esposo voltou a trabalhar e estou sozinha durante os dias de novo, com o peso da responsabilidade de ser “dona de casa” de novo. Não sei se é porque a vida voltou ao normal, e eu não tenho um emprego. Ou se de fato tem algo errado em mim e nenhum médico ainda descobriu. Eu sinto um pouco de medo de tudo. É bizarro. Eu esqueci como eu vivia antes disso, se era neurótica assim. Ontem quando voltei da terapia...

Nota 6

VI Já acordei cedo e fui com minha mãe ao médico. Metrô cheio. Me senti um pouco irritada, mas consegui me tranquilizar. Fomos ao médico de rotina, mastologista, que vamos duas vezes ao ano. Eu já retirei um nódulo benigno e por isso, é pedido que eu fique me monitorando. Pra ser sincera, apesar de o transporte ser caótico, eu tenho saudades da época da faculdade em que minha vida era São Cristóvão, ir no centro do Rio comprar alguma coisa pro projeto e chegar em casa depois das 17 h. Hoje parece tudo muito morno na minha vida. Sinto saudades do caos. Há um ano, minha vida era completamente diferente. Eu vivia agitada, ainda era noiva, tinha mil e uma coisas pra me ocupar. Hoje, bem… Hoje estou casada (não tenho do que reclamar em relação a isso). Mas me sinto só. Passo muito tempo sozinha. A frustração do desemprego, de não ter conseguido O emprego, a tarefa do lar ser minha responsabilidade porque sou eu que fico em casa, sabe, não foi isso que eu planejei pra mi...

Nota 5

VI Então, resolvi fazer do limão minha limonada. Já que emagreci sem querer, vou aproveitar e viver a vida mais saudável. Evito industriais e tento me alimentar melhor. Estou correndo! Que delícia tem sido. Meu esposo está de férias e temos ido com frequência caminhar. Não só caminhar mas correr. Tem sido libertador. O lugar que vamos é perto (perto mas não ao ponto de ir a pé, vamos de moto) e lindo. Todo verde. Relaxo muito e aproveito pra ficar com a sensação de que exercitei bastante o corpo. Bem suada. Respiração ofegante. Tenho proposto como meta me superar a cada ida, correndo mais tempo ou exercitar acelerar o ritmo da corrida. Na última vez que fomos, eu tirei a blusa pra exibir meu top de corrida e minha barriga magrinha. Naquela hora eu me senti feliz. Não pelo meu corpo, mas pela sensação de liberdade. Eu me senti bonita. Me senti desejada. Parecia que todos estavam olhando pra mim, mas não desejando meu corpo. Desejando minha leveza, minha felicidade. E...

Nota 4

IV Eu perdi uns quilos nessa coisa toda de passar mal. De 58kg para 53kg e agora 52kg. Eu fiquei assustada quando me vi comprando um biquini de lacinho para o feriado. Fiquei mais assustada ainda quando postei uma foto e as pessoas me dizendo que eu estava magra. “Será que está tão visível que eu tô doente”, pensei. Sabe, eu preferia ter continuada com meus 58kg, comendo de boa e nunca ter passado pelo que eu passei do estar hoje aproveitando que passei dois meses em diarreia pra aproveitar e ficar no meu peso ideal de 50kg. Ah, claro que eu tô gostando de vestir um biquini que antes eu nem queria experimentar. Óbvio que estou gostando de vestir os shortinhos da farm que eu comprei em 2014 e perdi eles rapidinhos. Estão todos larguinhos em mim. Mas eu sei qual foi o preço que paguei pra esse emagrecimento forçado. Ainda estou com receios de comer, mesmo sabendo que meu problema não é relacionado a alimentação. O segundo gastro que fui me passou uma colonosco...

Nota 3

III Sobre culpa, me sinto sempre culpada. Culpada de não ter conseguido seguir meu planejamento de vida. Estava tudo organizadinho: 2016 eu vou estagiar em duas empresas diferentes, em 2017 vou me dedicar pro TCC e organizar meu casamento, em 2018 vou casar e arranjar um bom emprego e no final, entrar no mestrado. (risos) 2016? Não consegui estágio. 10 entrevistas. 10 não. 2017? TCC 10, sim. Deixei pra organizar o casamento final do ano, mas deu tudo certo! 2018? Nada de emprego. (e eu vendo meus colegas conseguirem) Mestrado? KKKK Logo eu, que sempre me planejei pra tudo. Vi meus planos escorregarem de mim. Eu vi o tempo passar e eu no mesmo lugar. Tenho colegas que já são coordenadores e eu nem Júnior ainda. Desculpa, mas dói demais. Parece que eu fiz algo errado. Não fui capaz o suficiente pra passar nos processos seletivos. A sensação que eu tenho é que se eu depender de um RH me aprovar eu tô lascada. Agora sou culpada de ficar doente. Não dá.

Nota 2

II Para ser sincera, eu fiquei um pouco desapontada por não ter dado nada nos exames. Bem, aliviada por não ser uma doença grave, claro. Mas nadinha? Nem uma gastritezinha? Não tem remédio nenhum pra me dar? Como assim eu mesma preciso desenvolver minha “cura”? Eu tô acostumada a passar mal e tomar remédio e melhorar em uma semana. Não dá pra eu mesma inventar um antídoto antiansiedade e ser controlada aos poucos com o tempo. Eu não acreditei que o problema era minha cabeça. Essa mente cretina me fez passar dois meses mal. Sem ânimo, sem sair do banheiro, com medo de comer, medo de sair de casa. NÃO. (pausa pra chorar). Como eu deixei as coisas chegarem nesse estágio? A culpa é minha. Sempre. Até pra eu ficar doente a culpa foi minha.

Nota 1

I Eu sempre tive minhas queixas pessoais, mas nada que eu pudesse acreditar que fosse anormal. Todo mundo tem suas autocríticas, suas frustrações pessoais, não? Bom, não dá pra eu começar a escrever tudo o que estava (ou ainda está) engasgado na minha garganta. Só sei dizer que tem um tempo que eu ficava quieta, desconversando ou por aí chorando. Por fora eu estava bem. Sorrindo, vivendo, brincando. Mas por dentro eu estava mal. Eu não tinha muita ciência disso. Minha mãe, muito sagaz, percebeu que eu estava pra baixo. Me viu chorando na cabine da loja. “Filha, você precisa de terapia”. Lógico, não dei confiança. Já havia feitos alguns anos e tinha decidido parar por achar que tava bem. Até que passado algumas crises intestinais, já medicada, comecei a ter crises noturnas de ansiedade. Meu coração batia forte. Angústia. Eu precisava gritar mas não tinha ar no meu pulmão. “Meu Deus, o que tá acontecendo?”, eu pensava. Bebia água, tentava relaxar e me forçava a dormir de...