Nota 1
I
Eu sempre tive
minhas queixas pessoais, mas nada que eu pudesse acreditar que fosse
anormal. Todo mundo tem suas autocríticas, suas frustrações
pessoais, não? Bom, não dá pra eu começar a escrever tudo o que
estava (ou ainda está) engasgado na minha garganta. Só sei dizer
que tem um tempo que eu ficava quieta, desconversando ou por aí
chorando. Por fora eu estava bem. Sorrindo, vivendo, brincando. Mas
por dentro eu estava mal. Eu não tinha muita ciência disso. Minha
mãe, muito sagaz, percebeu que eu estava pra baixo. Me viu chorando
na cabine da loja. “Filha, você precisa de terapia”. Lógico,
não dei confiança. Já havia feitos alguns anos e tinha decidido
parar por achar que tava bem.
Até que passado
algumas crises intestinais, já medicada, comecei a ter crises
noturnas de ansiedade. Meu coração batia forte. Angústia. Eu
precisava gritar mas não tinha ar no meu pulmão. “Meu Deus, o que
tá acontecendo?”, eu pensava. Bebia água, tentava relaxar e me
forçava a dormir de novo. É, eu não estava bem. Minha mente estava
pedindo por socorro sem eu saber.
Logo pela manhã,
aceitei o contato de uma psicóloga indicada pela terapeuta da minha
mãe (é, ela faz, meu irmão já fez e hoje acho que todo mundo
precisava fazer). “Se você tiver um horário pra mim ainda essa
semana, eu agradeceria”, foi exatamente assim que terminei a
mensagem que mandei pra ela. SANTA VIRGÍNIA! Na primeira consulta me
fez chorar como seu fosse um neném recém-nascido. Me leu todinha.
Foi como sacode. E assim tem sido até hoje. Cada consulta um tapa na
cara.
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