mais uma semana de quarentena
6 dias que a mãe da minha melhor amiga faleceu
nossa, como me abalou.
um banho de água fria. um choque no corpo. um soco no estômago.
surreal.
a ficha cai. não tenho como mensurar o tamanho da dor que ela deve estar sentindo.
é tudo muito estranho.
daqui, a gente vai tentando se distrair como pode. cada um parece ter um hobby pra manter a saúde mental bem.
felipe fica queitinho no canto dele. faz sua dieta, lê livros, vê filmes e dá aula online. nas horas vagas traz boas reflexões pra gente falando sobre a bosta do governo no presidente
papai só existe. vai alguns dias da semana pro trabalho. é ele quem traz as péssimas noticas de quantos sepultamentos teve no cemitério (ele é coordenador do jardim da saudade). sua distração é soltar pipa com douglas, montar bicicletas e caçar problemas na casa para inventar gambiarras inteligentes mas com péssimo acabamento (risos).
mamãe é eu. hora rimos, hora surtamos, ora choramos, hora rimos de novo, hora surtamos de novo. pega seu solzinho matinal (como eu). não tem paciência pra postagens em prol do bolsonaro (como eu). é nostalgica (como eu). limpa tudo (como eu). conversa, dialoga, otima cia para uma quarentena amarga.
dona geralda. é a rádio tragédia. dificil manter um dialogo de 2min sem falar de morte. ela tem as neuras como seu filho mais velho e a gente ainda acaba caindo na neura dela.
douglas. vive agora de reformar a casa.
eu. eu sou minha mãe. leia a parte dela. sou eu lá. só não sei dizer se sou uma boa cia como ela.
eu tenho muita vontade chorar na verdade. eu não queria estar vivendo isso (todo mundo, né?). é desgastante. parece que NADA, absolutamente nada faz sentindo. fingimos que tá tudo bem, que vai passar, mensagens positvas nas redes sociais. MAS NAO TA. é horrível saber que enquanto to escrevendo aqui, esperando douglas terminar o banho dele para irmos na minha mãe jogar dominó, minha amiga não poderá ver a mãe dela. fico me perguntando se ela esta bem, se ela ta superando. ou se ta surtando. fico me perguntando se essa dor vai chegar em mim. não quero pensar, mas penso.
lembro que douglas amanha vai sair pra buscar o gaveteiro do guarda roupa dele, fico estressadisima.
eu me sinto responsável. um medo do futuro.
eu tenho medo de pegar esse virus sim, tenho medo de ver meus pais doentes dessa doença sim.
sei que não estamos imune. e saber que douglas pode ser o portador do virus pra dentro de casa me consome de culpa. eu já falei com ele. mas ele acha que usar a mascara e fazer todos os cuidados o torna distante de pegar. não acho muito bem assim.
não sei lidar com isso.
lado bom da semana: não me machuquei. senti vontade, mas não fiz. não quero.
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